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Vai empreender? A arte pode ser o caminho a seguir

@Patrick Tomasso / Unsplash

Ao pensar em um país que valoriza a arte, na comparação com países que não a valorizam, as pessoas tendem a dar créditos ou culpar o governo – independente de orientação partidária – pela falta de investimentos no fomento a ações artísticas/culturais. Ao analisar um cenário de escassez de recursos em produções diversas, como música, cinema, teatro, e exposições, você pode se questionar se essa estrutura realmente deve existir integralmente a partir do capital público ou se existe espaço para iniciativa privada impulsionar o mercado do entretenimento. Ademais, existem exemplos de movimentos capazes fortalecer empreendimentos a partir do direcionamento de capital para projetos de arte, cultura e entretenimento e histórias de grandes empresários que estruturaram uma trajetória de sucesso flertando com negócios de diferentes áreas, como ciência da computação e cinema, música e aviação. Gênios do empreendedorismo que utilizaram essa estratégia e alavancaram seus negócios a partir dessas iniciativas.

Steve Jobs, ao ser forçado a sair da Apple em 1986, comprou uma pequena fabricante de computadores chamada Pixar, das mãos de George Lucas, diretor de Star Wars. A Pixar tinha um pequeno histórico de produções de curta-metragens com animações para fins de marketing, estimulando o entusiasmo de Hollywood pela animação digital. Na época, Jobs estava mais interessado na Pixar Image Computer, uma máquina de 125 mil dólares, capaz de gerar visualizações gráficas complexas. Os computadores caros que a empresa produzia foram um verdadeiro fracasso e sua sobrevivência – e sua subsequente ascensão – é um case revelador sobre a abordagem de Jobs à inovação. Ele ajudou a transformar a Pixar em uma potência do cinema, com produções como Toy Story, Monstros S.A., Wall-e e Procurando Nemo. O que diferenciava todas as empresas de Steve Jobs – Pixar, NeXt, Apple – era a convicção de que cientistas da computação deveriam trabalhar em conjunto com artistas e designers, com as melhores ideias surgindo da interseção entre tecnologia e humanidades.

Outro exemplo de sucesso é Richard Branson, empresário britânico com investimentos nos mercados de música, vestuário, biocombustíveis, aviação comercial e até mesmo viagens aeroespaciais. Seu grande projeto foi ter iniciado, na década de 1960, a edição de uma revista chamada Student, uma resposta às publicações para adolescentes da época, cobrindo tópicos desde a guerra do Vietnã até poemas e resenhas musicais. Com o sucesso deste primeiro empreendimento, passou a vender discos e, para a sua surpresa, o negócio foi um enorme sucesso. No início dos anos 1970, Branson fundou a Virgin, uma empresa que inicialmente vendia discos pelo correio. Após montar um estúdio de gravação, o selo passou a lançar discos de artistas como Mike Oldfield, Sex Pistols, Genesis, Phil Collins, Peter Gabriel e Rolling Stones, tornando a Virgin Records uma das maiores empresas discográficas do mundo. O nome deu sorte, e, ao longo dos anos, Branson criou a Virgin Atlantic Airways, segunda maior companhia de aviação da Grã-Bretanha, e a Virgin Atlantic Flyer, tornando-se o primeiro homem a dar a volta ao mundo em um balão.

Jobs e Branson são homens que entraram para a história pela capacidade empreendedora e pelo olhar sensível à arte. Sem seus interesses “externos” ao mundo dos negócios, não teriam a inspiração ou a capacidade de trazer algo que interessasse o público em conteúdo e forma. Sem o investimento de seu capital, apoio e respeito ao trabalho dos artistas, não teriam revolucionado seus respectivos campos. Este tipo de empresário-mecenas não vem das últimas décadas, foi justamente do investimento privado na área artística que surgiu o conceito de Angel Investor que atualmente é uma prática recorrente em Startups. Os primeiros “anjos” eram indivíduos abastados que davam dinheiro para impulsionar produções teatrais na Broadway. O termo “investidor anjo” foi usado pela primeira vez pela Universidade de New Hampshire, por William Wetzel, fundador do Center for Venture Research, em sua pesquisa sobre como empreendedores reuniam capital. Não são apostadores de alto risco, ao contrário, provavelmente, ao se deparar com um projeto virtuoso e promissor, um investidor anjo lançará mão, no máximo, de 10% do seu capital de investimento, certificando-se que a probabilidade de resgatar o investimento e lucrar com isso é alta. Mesmo cauteloso, sabe identificar boas oportunidades de negócios e valorizar a arte de fazer diferente.

A Fábrica do Futuro acredita no poder transformador da arte, assim como a construção de negócios viáveis economicamente e que possibilitam soluções inovadoras, capazes de gerar impacto global. Não é à toa que possui o melhor estúdio de gravação do Brasil, o Audio Porto, tem uma galeria com obras itinerantes de artistas gaúchos em parceria com o MACRS, o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, e elegeu abrir as portas para o público neste ano com a primeira edição do Tech Art Festival. A FdoF é um ecossistema de inovação que conta com profissionais de diversos campos de atuação, convivendo, crescendo e criando juntos. O propósito é ser o espaço de referência para elevar os sentidos através da arte, cultura, inovação e educação, mudando o conceito dos limites do que é fazer negócios no país. A Fábrica do Futuro está aberta ao todo, e você também deveria estar.

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